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Procrastinação, TDAH ou apenas uma vida sobrecarregada?

  • psicottrauma
  • 28 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de out. de 2025


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"Acho que tenho TDAH… Vivo procrastinando tudo." Essa é uma frase que escuto com frequência no consultório, especialmente de mulheres que chegam cansadas, frustradas e, muitas vezes, se sentindo falhas por não conseguirem “dar conta” como gostariam.

É claro que o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) existe e precisa ser reconhecido e tratado com responsabilidade. Mas há um fenômeno silencioso que vem sendo cada vez mais confundido com ele: a sobrecarga invisível do dia a dia.

Quando a mente não falha: apenas está cansada

Vivemos tempos em que a exigência de produtividade é constante. Para muitas mulheres, isso se soma à expectativa (implícita ou explícita) de que elas devem ser cuidadoras, organizadoras, mediadoras, planejadoras, executoras… E ainda manter a calma, a saúde e o sorriso no rosto.

Esse acúmulo de funções cria uma rotina cheia de tarefas invisíveis, que não aparecem na agenda, mas ocupam um espaço enorme na mente:

  • lembrar de renovar receitas,

  • planejar refeições,

  • gerenciar a casa,

  • cuidar da saúde dos outros,

  • antecipar problemas e resolvê-los antes que surjam.

E o resultado? Uma mente em constante estado de alerta — que salta de um pensamento para outro, de uma tarefa para outra, com pouco ou nenhum espaço para descansar de verdade.

E a procrastinação?

Quando tudo isso se acumula, procrastinar vira uma forma de tentar sobreviver. Adiar o exercício, as refeições equilibradas, o encontro com as amigas ou mesmo momentos de lazer… não é preguiça. É exaustão.

A procrastinação, nesse contexto, não é sinal de falha. É um pedido de pausa. Um corpo dizendo "não consigo mais". Uma mente que já gastou energia demais com o que era urgente e não teve espaço para o que era importante.

Diagnóstico ou cansaço crônico?

É claro que um diagnóstico bem feito pode ser extremamente útil, tanto para quem tem TDAH quanto para quem lida com outros quadros. Mas antes de se rotular, vale se perguntar com honestidade:

  • Eu me sinto constantemente cansada, mesmo sem fazer tanto esforço físico?

  • Tenho a sensação de estar sempre "com a cabeça cheia", pulando de uma coisa para outra?

  • Sinto culpa quando descanso?

  • Tenho dificuldade de priorizar o que é importante para mim?

Se a resposta for sim para várias dessas perguntas, talvez a questão não seja um transtorno. Talvez seja a forma como a sua rotina foi organizada em torno das necessidades dos outros, deixando pouco espaço para você.

O nome disso pode não ser TDAH. Pode ser esgotamento.

Sim, mira-se no TDAH… e acerta-se no esgotamento. Muitas mulheres que acreditam estar com um transtorno de atenção estão, na verdade, cronicamente sobrecarregadas. Vivendo em modo de urgência. Adiando o que importa porque estão soterradas pelo que “não pode esperar”.

E agora?

Se você se identificou com esse texto, talvez o primeiro passo seja tirar o peso da culpa. Você não procrastina porque tem algo de errado com você. Você procrastina porque está cansada demais para cuidar de si.

O segundo passo? Pedir ajuda. Isso pode significar conversar com uma (um) psicóloga (o), reorganizar sua rotina, negociar tarefas, dizer “não” com mais frequência, ou simplesmente aprender a descansar sem se sentir em dívida.

Sua exaustão é real. E ela não precisa de julgamento, precisa de acolhimento.


Josiane Campos

Psicóloga clínica

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