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Validação emocional: um caminho de conexão

  • psicottrauma
  • 22 de set. de 2025
  • 2 min de leitura
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Quantas vezes você já ouviu ou disse: “não é nada, logo passa” ou “você está exagerando”? Embora bem-intencionadas, essas frases muitas vezes isolam mais do que ajudam. É como receber um empurrão em vez de um abraço.

A validação emocional é diferente. Ela nos convida a reconhecer o que o outro sente como legítimo e compreensível. Não é concordar com tudo, nem incentivar comportamentos prejudiciais. É dizer: “eu entendo que isso faz sentido para você”. Esse simples gesto cria conexão, confiança e abre espaço para mudanças reais.

Validar é acolher antes de transformar

Pense na emoção como uma criança chorando em um quarto escuro. Gritar “fica quieto!” só aumenta o choro. Mas entrar, acender a luz e dizer “sei que você está com medo, estou aqui” muda tudo. A validação ilumina a experiência emocional antes de propor caminhos diferentes.

Por que é difícil validar

Não é fácil validar. Desde crianças, aprendemos a minimizar sentimentos, a engolir a raiva, a seguir em frente sem questionar a tristeza. Crescer em ambientes que ignoram ou ridicularizam emoções pode nos ensinar a desconfiar do que sentimos e a repetir esse padrão com os outros. Por isso, muitos adultos têm dificuldade em reconhecer suas próprias emoções ou acolher as dos outros.

A importância de validar emoções difíceis

Validar é ainda mais essencial com emoções que a sociedade muitas vezes rejeita, como raiva e tristeza. Ouvir “deixa isso pra lá, o importante é perdoar” ou “levanta a cabeça, ficar triste não ajuda em nada” nega o que sentimos.

A raiva pode mostrar que um limite foi ultrapassado. A tristeza revela que algo tem valor. Dizer “entendo sua raiva, faz sentido diante do que aconteceu” ou “percebo sua tristeza, ela mostra o quanto isso é importante para você” transforma o peso em significado e cria acolhimento.

No dia a dia

Se um adolescente chega frustrado com uma nota baixa, dizer “não se preocupe, na próxima melhora” ignora o que ele sente. Uma resposta validante seria: “imagino como é difícil se esforçar tanto e não ver o resultado esperado. Entendo sua frustração”.

Se um amigo está nervoso por começar um novo emprego, “relaxa, vai dar certo” pode minimizar o medo. Validar seria: “faz sentido você se sentir nervoso, é uma grande mudança na sua vida”.

Em relacionamentos amorosos, em vez de responder defensivamente a “sinto que você não me escuta”, dizer: “entendo como se sente e quero me esforçar para estar mais presente” abre espaço para diálogo em vez de briga.

O que a validação não é

Validar não é aprovar tudo. Se alguém grita ou quebra objetos, a validação não é sobre o comportamento, mas sobre a emoção: “vejo que você está muito irritado, isso deve ser difícil”. Depois, é possível buscar formas mais saudáveis de expressar a emoção.

Um reflexo no espelho

Todos precisamos nos sentir compreendidos. Quando somos validados, aprendemos a confiar nos nossos sentimentos. É como um espelho que não distorce: a pessoa se vê, percebe que o que sente faz sentido e entende que não está sozinha.

A validação é isso: acolher antes de transformar.


Josiane Campos

Psicóloga Clínica

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